Added: Jul 25, 2008
From: Turistando
Duration: 6:42
Bem pessoal, como muitos já sabem sou completamente fascinado por trilhas sonoras de cinema, isso explica um pouco da minha loucura pela imagem e pelo som como o seu coadjuvante. Bem a nossa jornada AUDIOVISUAL de hoje, dá destaque à canção "HOW CAN YOU MEND A BROKEN HEART", interpretada pelo cantor AL GREEN e que faz parte da trilha sonora do filme "AS VIRGENS SUÍCIDAS", filme de estreia da Sófia Coppola (sim, isso mesmo, filha do "homem") como diretora, adaptando o livro de mesmo nome de Jeffrey Eugenides, que conta a história das irmãs Lisbon e de como elas afetaram a vida de um grupo de meninos, também adolescentes, que moravam no mesmo bairro. A história é baseada em fatos reais, sendo que o autor fez parte do grupo de garotos. Ou, talvez, eles só o representem, já que não demonstram uma identidade individual durante o filme, pelo contrário, são de uma unidade incômoda (só há um narrador, já adulto, que conta a história em off e que não se apresenta como nenhum dos personagens - mas creio que seja o mais novo deles). E é através desse artifício (sórdido, por sinal), que a narrativa, já misteriosa, nos envolve praticamente colocando-nos na trama. Durante todo o filme nós fazemos parte, ou somos, aquele grupo de garotos, também. E durante todo o filme nós adoramos também aquelas garotas. Principalmente, e muito, Cecilia (Hanna R. Hall) e Lux (Kirsten Dunst, a garotinha de Entrevista Com o Vampiro, que demonstrava já aos 8 anos ter potencial, ao declarar que teve nojo das cenas de beijo com o Brad Pitt); mas, infelizmente, pouco, muito pouco teremos chance de adorar Mary Lisbon (A.J. Cook, uma espécie de Uma Thurman mais nova e mais sexy, se é que isso é possível ou mesmo desejável). Mas ok, vamos ao que interessa: estamos em meados dos anos 70, em um bairro de classe-média americano, cheio de casinhas bonitinhas e jardins bem-cuidados, onde vivem o Sr. a Sra. Lisbon com as suas cinco filhas, que vivem enclausuradas e sob uma rígida disciplina devido ao extremo conservadorismo dos pais (principalmente da mãe). O filme começa com a tentativa de suicídio de Cecilia, a mais nova delas, de 13 anos. Esse ato, aparentemente inexplicável, muda tudo. A partir daí, aconselhados por um psiquiatra, a família vai tentar se socializar mais. E é então que os garotos vão ter uma chance maior de participar da vida delas, de tentar entendê-las e partilhar seus sonhos. Digo tentar, porque eles sempre estarão em uma posição periférica, mais observando do que participando. E eles passam a analisar a pouca informação que conseguem, para tentar decifrar o enigma que elas são. Colecionam objetos que conseguem no lixo, observam-nas de longe e sonham. Principalmente sonham. Infelizmente. Mas felizmente também aprendem muito: quando têm acesso ao diário de Cecilia, a mais sábia de todas, descobrem um pouco de toda a complexidade que é ser uma adolescente e chegam à conclusão que as mulheres, de alguma forma, têm uma tal sabedoria e conhecimento sobre a vida (o que as leva, por exemplo, a saber combinar cores), que a eles cabe somente fazer o barulho certo que possa encantá-las (e, Deus!, nós sabemos como isso pode ser difícil), como as eternas crianças que estamos condenados a ser. Cecilia, na melhor frase do filme, ao ser questionada pelo médico que a atendeu sobre o que uma menina tão nova conhece da vida a ponto de tentar se matar, simplesmente diz: "O senhor, obviamente, nunca foi uma garota de 13 anos". Não, ele nunca foi. Nem eu tão pouco. E esse é o ponto central do filme, onde as cartas são colocadas na mesa: uma mulher, uma médica, faria a mesma pergunta? Se sim, como a encararia? Com reprovação, compreensão, admiração ou inveja? Qual resposta mereceria? Talvez, "a senhora, obviamente, nunca foi um ser humano" (digo isso, porque ela finalmente se mata quando perde toda a esperança na dignidade humana)? Bom, mas eu disse que elas eram um enigma para eles, não foi? Se disse, fico mais à vontade para dizer que elas, em conjunto, tão diferentes que são entre si, representam todas as mulheres. A tentativa deles de entendê-las (as irmãs), é a tentativa de todos nós, de entendê-las (as mulheres) também. Mas, durante toda a história, sendo o que for que haja, eles manterão essa posição de inferioridade e de adoração que, claro, é a única possível. E o pior: tudo isso, tudo o que eu falei até agora, é só o começo. Há ainda três quartos de filme pela frente, e muito, muito mais mistérios a serem desafiados, porque da natureza feminina é o mistério. Você até agora foi Cecilia, mas ainda será um pouco de cada habitante daquele bairro, e mais importante, será Lux Lisbon e será Trip Fontaine. Mas você, ao contrário deles e de todos, saberá perdoar? Saberá esquecer? Saberá entender? Saberá compreender? Ou só saberá acusar? (Texto original de Fernando Agra *** SIM EU MESMO *** para o fotoblog SOUNDTRACK MOVIES "http://trilhasdefilmes.nafoto.net" em 2004)
Channel: Film
Tags: cinema coppola dunst hartnett josh kirsten msica sofia sonora trilha
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limadaguia Says:
Jul 28, 2008 - Mt boa a música.